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LUNCHEON

Nunca me satisfez muito a etimologia de “LUNCHEON”. Em textos desde o século XVI está ali, referindo-se às refeições meio rápidas no meio do dia, para nos séculos adiante significar repas chiques, ou ainda almoços com entretenimento. Cole Porter se referia a LUNCHEON como esses almoços de gente granfina e emperequetada, e mais tarde Fairchild, editor da WWD – Women’s Wear Daily – deu novo tom: o longo almoço das mulheres muito chiques, mas que não almoçam.

Resolvi meter meu dedo na panela e opinar que almoços bacanas, longos, com entretenimento, onde se come mesmo muito pouco, é o mix etimológico correto. Isto sim é LUNCHEON, algo como “lunch goes on”, sacaram? Vamos à Nova York, anos 60, economia americana bombando, onde luncheons  rolavam quase todos os dias nos locais mais bacanas da cidade. Falo de Jackie Kennedy-Onassis, Gloria Guinness (esposa do financier, não o cookie, o financista mesmo, o inglês Loel Guinness), Lee Radziwill, Nam Kemper, Betsy Bloomindale, a duquesa de Windsor, sempre com os escorts-bachelors, mais profissas do ramo, como Truman Capote, Roy Cohn e Swift Lazar. Falo de uma “tiurma trilhardária”, que se arrumava durante horas, só usava Chanel, Balanciaga, Dior, e sentava em mesas animadas sem hora para terminar, até que os fotógrafos aparecessem à porta do Pavillon, ou Colony, ou La Cirque, Cote Basque ou o italianíssimo Orsini’s. Eram encontros mais que triviais, sem o menor propósito, o verdadeiro free lunch, que dizem não mais existir.

Vinhos? Só brancos, sempre Borgonha, Montrachet, Chassagne e os melhores Pulignys grand crus, e a moda dos ABC (Anything But Chardonnay), anos mais tarde, veio daí. As grandes agentes da moda circulavam entre os restaurantes, ao encontro “espontâneo” da sua melhor clientela. Logo, as atrizes, a Costa Oeste, ficaram sabendo, e o chardonnay (ABC!! Of course!) de Napa Valley e arredores agradece às mundanas até os dias de hoje.

A dieta era à base de vinho chardonnay e quase zero de sólidos, com uma ou outra exceção, como os carpaccios com rúcula do Orsini’s pedidos por Marisa Bereson que encantavam Candice Bergen e Penelope Tree. Dali a virarem moda nos anos 80 foi um passo. Mais um global hit da turma da pesada. Hoje a vida ficou agitada, todos têm compromissos, criou-se o low profile, e algumas destas multi-multi dizem com ar snob: “I’m not a chic restaurant-goer”. É mole?!

O Shopping Leblon recebeu a primeira filial no Rio da KATE SPADE, uma loja que traduz em seu conceito o estilo de vida e até a moda desses anos de glória (guiness) que conto. Vale conferir!

Rio de Janeiro, 3 de agosto de 2012

João Luiz Garcia de Souza